h1

♣ Diploma para o Jornalismo

08/04/2009

Vários sites, blogues e jornais discutem com afinco a obrigatoriedade (ou não) do diploma para o exercício da atividade jornalística. Alguns sites, como o OI (Observatório da Imprensa) apresentam tanto opiniões a favor quanto contra. Abaixo um compilado das respostas escritas para alguns textos, editado (exclusão de referências contextuais):

 

“Qualquer um pode se fazer jornalista? Então é assim… Eu sei escrever, articular argumentos, segurar um microfone e pronto, sou jornalista? Certamente os conhecimentos de abordagem podem ser assimilados vivencialmente, mas as bases que legitimam o exercício da profissão estão além destes conceitos.

 

Obrigatoriedade do Diploma

Obrigatoriedade do Diploma

 

 

É preciso, antes de tudo, se fazer ético e ter a percepção exata do serviço que é prestado à sociedade. Estamos, sim, passando por um momento de profunda inanição informativa, mas o diploma (a obrigatoriedade dele) é de fato necessário. Sou estudante de jornalismo e, claro, defendo que, para ser um bom jornalista, antes de militante e defensor dos Direitos Humanos, o diploma se faz absolutamente fundamental.

 

É evidente que temos profissionais e profissionais, e isso, claro, não apenas no Brasil. Eu não considero exemplar o jornalismo norte-americano ou o espanhol. Ter países de primeiro mundo como exemplos de não-obrigatoriedade-do-diploma não significa dizer que também sejam exemplo de como se fazer jornalismo.

 

O diploma nos dá, além de conhecimentos de área e de mundo (coisa que realmente se pode assimilar exercício afora), a ética e o profissionalismo tão caros à profissão. Nem todos os diplomados serão profissionais exemplares, como também não posso dizer que os auto-jornalistas o serão às avessas, mas certamente garanto que o nível de competência hoje apresentado será elevado.

 

Márcio Dornelles.

h1

♣ RBD – Fanatismo sonoro

26/11/2008

Os motivos pelos quais a banda mexicana RBD consegue atrair tantos fãs são, de fato, um mistério. O grupo, surgido após o sucesso da novela “Rebelde”, divulgou recentemente sua separação e começa a sua turnê de despedida pelo Brasil.

 

Todos os shows da banda são marcados por demonstrações de fanatismo. Não raro, são encontrados fãs acampando em frente ao local do evento, na maioria das vezes acompanhados dos seus pais. Fortaleza está experimentando mais uma vez os reflexos da presença da banda, com público na faixa etári

Integrantes do RBD

Integrantes do RBD

a de 12 a 16 anos.

 

O show, que aconteceu ontem no Siará Hall, teve seus preços oscilantes entre R$ 80,00 (pista) e R$ 250 (vip). Quem passava ontem pelo local do show podia ver as pessoas se amontoando para formar uma infindável fila. Ao longo de toda sua extensão encontravam-se fãs caracterizados como seus ídolos, com gravatinhas vermelhas, camisa social e as meninas com o acréscimo das mini-saias de mesma cor das gravatas. Se a fila estava com essa efervescência toda, o que não dizer do momento em que os “rebeldes” chegaram ao local ou, minutos mais tarde, quando começaram a tocar.

 

Analisar o sucesso da banda não é tão fácil assim. Os nossos tempos são outros, como não poderia ser diferente, dadas as muitas transformações sofridas. Na sociedade do espetáculo, as crianças também sofrem. São vítimas de uma mídia cada vez mais exagerada, transformando uma simples banda – considera-se aqui o carisma e talento dos integrantes – em algo assustadoramente amado.

 

Márcio Dornelles.

 

h1

O aborto dos outros, é só dos outros?

06/11/2008

A 3ª Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul acontece em 12 capitais brasileiras. O evento que começou no dia 06 de outubro e vai até 06 de novembro conta com produções audiovisuais da América do Sul. O conteúdo da mostra se refere á questões ligadas aos direitos humanos, além de comemorar os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Em Fortaleza, o evento aconteceu no período de 13 á 19 de outubro, no Cine Benjamim Abrahão, localizado no bairro Benfica. Na ocasião, o público teve a oportunidade de conhecer alguns filmes que falam sobre homossexualismo, relações sociais, aborto, entre outros. Todas as produções exibidas trazem um conteúdo distinto e rico em detalhes, mas um filme merece destaque “O Aborto dos Outros”. O longa que é dirigido por Carla Gallo conta a história de intolerância, maternidade e solidão de mulheres que sofrem com os abortos em hospitais públicos. Sabemos que alguns são autorizados por lei, mas infelizmente o índice de abortos clandestinos é bastante significativo na sociedade.

 

O filme revela um dado preocupante, cerca de 70 mil mulheres morrem por ano no mundo em função de aborto inseguro e que somente no Brasil, uma em cada quatro gestações é interrompida voluntariamente, totalizando mais de um milhão de abortos clandestinos por ano. A lei no Brasil não impede na prática que mulheres realizem o aborto, porém os efeitos são maléficos, como o elevado índice de mortalidade materna ou as graves seqüelas de procedimentos clandestinos. Esse é um dos maiores problemas do país na área da saúde. Mas como encara tal dificuldade? O que fazer quando uma menina de 13 anos sofre abuso sexual, engravida e não tem qualquer maturação para ser mãe? Ou uma mulher que está no sexto mês de gestação e que ouve o diagnóstico dado pelo médico de que o bebê tem problemas de má formação que não lhe dão chance de sobrevida após o nascimento?

 

As respostas para essas questões não vão surgir da noite para o dia, até mesmo pela falta de informação e orientação para a grande maioria da população. Mas “O Aborto dos Outros” não pode ser encarado como um problema particular, ele é sim um problema social de todos e que merece uma atenção especial por conta dos órgãos responsáveis e também da sociedade. É inaceitável cruzar os braços diante de uma situação onde o aborto clandestino é responsável por 250 mil internações no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo a curetagem pós-abortamento o segundo procedimento obstétrico mais realizado no serviço de saúde pública. O problema existe e cabe a todos buscar uma solução para que a vida a ser gerada e de quem está gerando não seja encarada como um momento de tristeza e angústia, e sim um acontecimento feliz e de valorização da saúde.        

 

Por Julinho Lemos, radialista e estudante de Jornalismo.